Programação

Exposição

Exposição

Numo Rama

Póstumos - Arqueologia do descaso

2 dezembro 2020 - 18 dezembro 2020

Em 2006, Numo Rama, premiado fotógrafo paraibano radicado no Rio Grande do Norte, conseguiu uma autorização especial para de- senvolver um trabalho na antiga penitenciária João Chaves, em Natal, a maior do estado àquela época, conhecida como “Caldeirão do Diabo”. Durante cerca de três meses, frequentou regularmente o local, compartilhando o cotidia- no dos presos: entrava nas galerias pela manhã e só saía à tarde. Buscava, então, responder às pergun- tas que tinham motivado seu proje- to: Como o ser humano pode se reinventar em um ambiente  enclau- surado? Que códigos sociais são criados por cidadãos excluídos da sociedade? Que tipo de hierarquia se estabelece entre eles?

Dessa vivência resultaram as imagens da presente exposição, a maioria revelada aqui pela primeira vez. Graças a elas, Numo Rama nos introduz no universo carcerário, com seus persona- gens e cenários particulares, mas para nos mostrar algo que vai além dos muros do presídio. Nelas, abandona o registro meramente docu- mental e explora diferentes recur- sos visuais, muitas vezes contra- riando regras “sagradas” da fotografia: em vez do foco, o desfoque; em vez da nuance, o contraste; em vez do concentrado (como se espera de uma prisão), o panorâmico. Apresenta, assim, um mundo muito mais simbólico que palpável, estados subjetivos mais que realidades permanentes,  reve- lando uma humanidade que insiste em ser, mesmo quando parece não mais viver, como sugere o título “Póstumos”.

Numo Rama lembra, no entanto, que a privação de liberdade desses seres geralmente não começa com a entrada no presídio, mas bem antes. Na verdade, todo cárcere é apenas a ponta de um grande iceberg, o elemento final de uma série de circunstâncias que, entre- laçando-se e superpondo-se, vão envolvendo os indivíduos em uma teia da qual dificilmente escapam. É isso que o fotógrafo traduz na instalação especialmente criada para essa exposição, sugerindo, a partir de arranjos de ossos de animais (vestígios, por excelência, de uma vida que já existiu), os elementos políticos, econômicos, sociais e culturais que definem o destino de muitos excluídos. Juntemo-nos a ele nessa verdadeira “arqueologia do descaso”.

 

Obras, curadoria, cenografia e iluminação: Numo Rama

Produção: Numo Rama e Museu Câmara Cascudo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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